Não Olhe Demais para a Grama do Vizinho

Após anos coordenando campanhas eleitorais e assessorando mandatos, posso afirmar com segurança que existe um erro recorrente que vejo políticos cometerem constantemente nas redes sociais: a obsessão pelo que os adversários estão fazendo.
É impressionante como muitos candidatos e políticos ficam literalmente hipnotizados pelas publicações da concorrência. Passam horas analisando cada post, cada story, cada estratégia utilizada pelo "outro lado". E o pior: tentam replicar exatamente o que viram funcionando na conta alheia.
A Armadilha da Imitação
Sim, monitorar os adversários faz parte de qualquer estratégia política séria. É fundamental saber o que eles estão comunicando, quais pautas estão priorizando e como estão se posicionando. Mas existe uma linha muito tênue entre monitoramento estratégico e imitação desesperada.
Quando um político decide copiar o que o adversário está fazendo, ele comete alguns erros graves:
Perde sua autenticidade: A política, mais do que qualquer outra área, demanda autenticidade. Os eleitores conseguem perceber quando alguém está sendo genuíno ou apenas reproduzindo um script. É justamente essa autenticidade que torna cada político único e conecta com seu eleitorado.
Comunica para o público errado: Aqui está um ponto crucial que muitos ignoram. Frequentemente, o eleitorado do seu adversário não é o mesmo que o seu. Quando você copia as estratégias dele, pode estar direcionando sua comunicação para pessoas que simplesmente não se importam com você ou, pior ainda, que já têm preferência definida por outro candidato.
Desperdiça recursos: Tempo, energia e verba que poderiam ser investidos no desenvolvimento de uma estratégia própria e mais eficaz acabam sendo gastos em uma corrida de imitação que raramente traz resultados positivos.
O Poder da Diferenciação
O que realmente funciona nas redes sociais políticas é a capacidade de se diferenciar, não de se igualar. Cada político tem sua história, suas bandeiras, sua forma única de se comunicar. É isso que deve ser potencializado, não mascarado por uma tentativa de imitar o que supostamente está "dando certo" para outros.
Quando você foca demais no adversário, acaba perdendo o foco no que realmente importa: sua própria narrativa, seus próprios eleitores e suas próprias propostas. É como tentar jogar futebol olhando apenas para o time adversário - você esquece de cuidar da sua própria bola.
A Receita para a Derrota
Uma preocupação excessiva com os movimentos dos adversários pode ser o primeiro passo rumo a uma derrota. Conheço casos de candidatos que mudaram completamente suas estratégias no meio da campanha porque viram algo "interessante" sendo feito pela concorrência. O resultado? Confusão na comunicação, perda de identidade e, consequentemente, perda de votos.
O Equilíbrio Necessário
Não me entendam mal: ignorar completamente os adversários também seria um erro. O segredo está no equilíbrio. Monitore sim, mas use essas informações para reforçar seus diferenciais, não para imitá-los.
Use o monitoramento para:
- Identificar lacunas que você pode preencher
- Entender tendências de comportamento do eleitorado
- Antecipar possíveis ataques ou narrativas contrárias
- Fortalecer seus pontos fortes em contraste com os deles
Minha Dica Final
Recentemente, fiz um post no meu Instagram satirizando exatamente essa situação - políticos que ficam obcecados em copiar os adversários. Minha dica é simples: monitore seus adversários, mas não endoideça por causa deles. Monitorar os passos da concorrência é essencial para uma estratégia bem fundamentada, mas lembre-se sempre que uma derrota já começa a ser construída quando essa preocupação se torna excessiva.
O foco deve estar sempre na construção da sua própria narrativa, no fortalecimento da sua autenticidade e na conexão genuína com seus eleitores. Porque, no final das contas, é isso que realmente move votos: a capacidade de ser verdadeiro e único em um mar de imitações.
A grama do vizinho pode até parecer mais verde, mas é no seu próprio jardim que você deve investir seu tempo e energia.