Quaest de Julho: Melhora Tímida não Apaga os Sinais de Alerta para a Reeleição de Lula

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 16 de julho, trouxe números que, à primeira vista, podem parecer animadores para o governo Lula. A aprovação subiu de 40% para 43%, enquanto a desaprovação caiu de 57% para 53%. Contudo, uma análise mais profunda dos dados revela que o cenário para a reeleição presidencial em 2026 está longe de ser favorável ao atual mandatário.
Os Números Não Mentem: A Polarização Permanece
Quando observamos que 40% dos entrevistados avaliam o governo Lula de forma negativa, estamos diante de um dado crucial que foi pouco explorado pela mídia tradicional. Esse percentual representa uma base sólida de eleitores que, muito provavelmente, não cogitará votar no petista em uma eventual disputa pela reeleição. É um "teto" eleitoral que se cristaliza e que pode ser determinante no pleito de 2026.
Os demais cidadãos, que avaliam o governo como regular ou positivo, formam um grupo mais volátil. Parte desse eleitorado pode, sim, optar pela continuidade por receio de mudanças bruscas, mas também pode migrar para outras opções caso surjam alternativas convincentes.
A Economia: O Verdadeiro Termômetro Eleitoral
O dado mais preocupante da pesquisa, e que curiosamente passou despercebido no noticiário matinal, é que 46% dos brasileiros acreditam que a economia piorou nos últimos 12 meses. Embora tenha havido uma pequena melhora em relação à pesquisa anterior (eram 48%), esse percentual ainda representa quase metade da população com percepção negativa sobre sua situação econômica.
O voto do brasileiro é, essencialmente, pragmático. Quando o cidadão sente que sua vida não melhorou ou, pior, que piorou, ele tende a responsabilizar quem está no poder. Não importam os índices macroeconômicos ou as estatísticas oficiais - o que vale é a percepção individual sobre o próprio bolso.
O Nordeste: A Base que Balança
Talvez o sinal mais preocupante para o governo seja a queda de aprovação no Nordeste, tradicionalmente a principal base eleitoral de Lula. Se até mesmo nessa região, historicamente fiel ao petista, os números começam a fraquejar, isso indica que o desgaste é mais amplo e profundo do que se imaginava.
Entre a Estagnação e a Queda Livre
É preciso reconhecer que a pesquisa Quaest interrompeu uma sequência de quedas nas avaliações do governo. Nesse sentido, há uma estabilização que impede uma derrocada completa da popularidade presidencial. No entanto, essa estagnação em patamares baixos não constitui uma base sólida para uma campanha de reeleição.
O Tempo Como Aliado e Inimigo
O governo Lula ainda dispõe de dois recursos importantes: tempo e máquina pública. Há margem para implementar políticas que melhorem a percepção popular e para utilizar a estrutura estatal em favor da reeleição. Contudo, se os indicadores atuais se mantiverem, o país poderá testemunhar, pela segunda vez em sua história democrática, um presidente perdendo a reeleição.
A pesquisa Quaest de julho oferece um alívio momentâneo ao governo, mas não altera o cenário desafiador para 2026. Com 40% de avaliação negativa, 46% percebendo piora econômica e queda de aprovação até no Nordeste, os sinais de alerta permanecem acesos.
A reeleição de Lula, longe de ser uma certeza, dependerá fundamentalmente da capacidade do governo de reverter a percepção econômica negativa e reconquistar a confiança de parcela significativa do eleitorado. Os próximos meses serão decisivos para determinar se esses números representam apenas uma turbulência passageira ou o prenúncio de uma mudança mais profunda no humor político nacional.