Seja um Candidato Fast-Food

24/07/2025 às 22:24:40

Quem nunca se deparou com aquela propaganda irresistível na televisão ou em um outdoor na rua? Dois sanduíches suculentos, com ingredientes fresquinhos saltando da tela, tudo por apenas R$ 25,00. No primeiro momento, você pode até pensar: "Não estou com fome" ou "Não preciso disso agora". Mas então você vê a mesma propaganda novamente no caminho do trabalho. E mais uma vez durante o intervalo do jornal. E outra vez no Instagram.

Se você é um amante de sanduíches como eu, vai chegar um momento em que aquela imagem vai despertar algo em você. De repente, você se pega pensando naqueles sabores, imaginando a primeira mordida, até que finalmente decide: "Preciso experimentar isso!"

AIDA em Ação

O que acabei de descrever é um exemplo perfeito da sequência AIDA em funcionamento:

  • Atenção: A propaganda chamou sua atenção visual

  • Interesse: Você começou a prestar atenção nos detalhes

  • Desejo: Desenvolveu vontade de experimentar

  • Aquisição: Finalmente comprou o produto

As grandes redes de fast food dominaram essa estratégia há décadas. Elas sabem que você não está pensando em hambúrguer 24 horas por dia, mas continuam investindo milhões em publicidade constante. Por quê? Porque entendem que o momento da compra é imprevisível, e quando ele chegar, querem estar na sua mente.

O Candidato e o Eleitor: Uma Relação Similar

Agora, transportemos essa lógica para o cenário político. Neste exato momento, é provável que o eleitor comum não esteja pensando em eleições. Ele está preocupado com o trabalho, a família, as contas do mês, o trânsito, enfim, com a vida cotidiana. Política e eleições podem parecer distantes da sua realidade imediata.

Mas aqui está o erro fatal que muitos candidatos cometem: acreditar que, por o eleitor não estar pensando em eleição agora, não é necessário investir em presença e relacionamento.

A Presença Constante Constrói o Voto

No caso dos candidatos, a "aquisição" é o voto, e esse voto só pode ser "adquirido" em um dia específico: o dia da eleição. Não há como antecipar ou transferir essa data. É um momento único e definitivo.

Por isso, mesmo que o eleitor não esteja pensando no voto que vai dar, o candidato precisa estar presente, sendo visto nas ruas, interagindo nas redes sociais, demonstrando simpatia e proximidade com os eleitores. Cada aparição, cada post, cada cumprimento na padaria é como aquela propaganda do sanduíche: vai construindo familiaridade e afinidade.

Quando chegar o momento da decisão, aqueles dias anteriores à eleição quando o eleitor finalmente para para pensar em quem votar, o candidato que esteve presente durante todo o processo terá uma vantagem competitiva enorme. Ele já terá passado pelas etapas de atenção e interesse, estará mais próximo do desejo e, consequentemente, da aquisição do voto.

A Lição Aprendida na Prática

Posso falar sobre isso com propriedade porque já vivi o lado oposto dessa estratégia. Já fui contratado às vésperas de eleições, quando os candidatos finalmente "acordaram" para a importância da campanha. E posso garantir: o resultado quase sempre é ruim.

Quando você começa a trabalhar apenas nos últimos meses antes da eleição, está tentando comprimir todo o processo AIDA em um período muito curto. É como se o fast food só fizesse propaganda na semana em que você está com fome. As chances de conversão despencam drasticamente.

O Tempo da Política Não É o Tempo do Eleitor

A grande sacada está em entender que o tempo da política é diferente do tempo do eleitor. Enquanto o candidato precisa pensar estrategicamente em ciclos eleitorais longos, o eleitor só "liga" o modo político próximo ao dia da votação.

Candidatos inteligentes aproveitam esse descompasso temporal a seu favor. Eles usam os períodos de "baixa atenção política" para construir relacionamentos sólidos, demonstrar trabalho consistente e criar uma presença marcante na mente do eleitor.

A Receita do Sucesso Eleitoral

Portanto, se você é candidato ou trabalha com um, lembre-se: o trabalho de conquista do voto começa muito antes do eleitor começar a pensar em eleição. Assim como as grandes marcas de fast food, você precisa estar presente constantemente, criando familiaridade e simpatia.

Seja nas redes sociais mostrando seu trabalho diário, seja nas ruas cumprimentando pessoas, seja em eventos da comunidade demonstrando proximidade - cada interação é um investimento no seu "share of mind" eleitoral.

Quem faz esse movimento de presença constante e relacionamento genuíno chega muito mais forte no período eleitoral. E quando o eleitor finalmente sentar para decidir seu voto, adivinha qual nome vai estar mais presente na sua memória?

Exatamente: aquele que esteve presente durante todo o processo, como aquele sanduíche irresistível que você acabou experimentando depois de vê-lo tantas vezes.

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